segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Colaborador: Marco Antonio Gonçalves (Sinister Salad Musikal)

Pessoas, tenho mais do que o prazer e privilégio de ter um post (depois de meses, naturalmente) de um dos maiores entendedores de musica deste país: Marco Antonio Gonçalves, nosso grande Marcão, dono do site (e apelido que posta aqui) Sinister Salad Musikal (http://sinistersaladmusikal.wordpress.com/). Também é um dos maiores colecionadores de discos (sobretudo em vinil) do Brasil, sua coleção deixa QUALQUER BOLHA de queixo no chão!


Crianças, leiam com muuuuuuita atenção as recomendações do nosso querido Marcão, ele esta indicando uma banda que eu mesmo não conhecia mas fui atrás e é coisa finíssima! Como de praxe, em meu blog não tem link para download do álbum.

Sem mais lenga-lenga, tenho a honra de postar a resenha de Marco Antonio Gonçalves (valeu, Marcão):

TITUS GROAN - TITUS GROAN (1970)





A capa com ilustração horripilante pode até causar um calafrio dos diabos, mas a música que sai dos sulcos do disco é uma maravilha só. Lançado originalmente em outubro de 1970 pela Dawn Records, o álbum do Titus Groan é dessas obscuridades musicais que fazem com que este bolha sinistro continue vagando pelos sebos em busca de raridades discográficas perdidas no tempo. Ostentando um nome estranho, retirado do romance gótico de Mervyn Peake (é o título do primeiro livro da trilogia de Gormenghast, publicado em 1946), este misterioso grupo do Reino Unido durou menos de um ano, mas o tempo suficiente para produzir este único e excelente registro.

Em apenas 5 faixas, o quarteto mostra toda a sua criatividade e ousadia nas instrumentações. Composições alucinantes tocadas de forma magistral pelos músicos Stuart Cowell (guitarra, teclados e vocais), Tony Priestland (sax, flauta, oboé e sopros em geral), John Lee (baixo) e Jim Toomey (bateria e percussão). O som denota certa aura medieval, agregando elementos do folk, rock progressivo, hard rock e jazz-rock. Nada menos que intrincadas maquinações sonoras dissolvidas em arranjos envolventes e melodias apuradas, tornando a audição uma deliciosa viagem musical.

Temas como as estilosas “It Wasn’t For You” e “I Can’t Change”, ou ainda a magnífica suíte “Hall Of Bright Carvings” (que dá nome ao primeiro capítulo do livro que batizou a banda) têm uma irrefutável afinidade sonora com grupos britânicos de mesma linhagem como Jethro Tull, Caravan, Colosseum, Traffic ou East of Eden. É notável a interação entre os fraseados de guitarra e os instrumentos de sopro, sem falar nas sutis passagens de órgão com texturas medievais e no trabalho percussivo surpreendente.

Outra faixa indispensável é a agradável “Its All Up With Us”, com linha melódica e sonoridade mais acessíveis do que nas outras composições, muito por conta da levada mais pop e da bela harmonização vocal da trupe. No geral, uma sonzeira esquecida no tempo e entregue aos garimpeiros do universo bolha, colecionadores de raridades vinílicas e alienígenas de Internet atentos a downloads empoeirados.




Logo após o lançamento do disco – e em meio a críticas elogiosas da imprensa britânica - a gravadora Dawn promoveu um giro do Titus Groan pela Inglaterra com a participação de outros grupos do seu cast: os não menos obscuros Demon Fuzz, Comus e Heron. Tenebrosamente, a tour foi um fracasso colossal e menos de um ano após a sua fundação, a banda encerrou as atividades. Seus integrantes simplesmente desapareceram do mapa musical, mas ao menos deixaram este álbum fantástico para a posteridade.

Quando em 2000 a Get Back relançou esta pérola perdida, não hesitei e adquiri uma cópia em vinil 180 gramas, prensagem italiana, capa dupla e com três faixas bônus: uma versão de “Open The Door, Homer” de Bob Dylan, a belíssima “Woman Of The World” e “el grude sônico para estalar los dedos” chamado “Liverpool”. Estas três músicas foram soltas em um maxi-single pela Dawn em 1970, poucos dias antes do lançamento do álbum homônimo da banda. Vale lembrar que nenhuma delas foi incluída no play original. Taí um clássico empoeirado absoluto. E agora, aditivado.

Faixas:


01. It Wasn't For You
02. Hall Of Bright Carvings - a) Theme - b) Dusty High-Value Hall - c) The Burning - d) Theme
03. I Can't Change
04. It's All Up With Us
05. Fuschia
Bônus:
06. Open The Door, Homer
07. Woman Of The World
08. Liverpool

PS.: Esta resenha foi publicada, originalmente no website do próprio Marcão (link no começo do post) e republicada aqui com autorização total do autor.

O que acharam? Ouviram? Conheciam? Detestaram? Comente já ou agora mesmo!

5 comentários:

  1. Hum... não conhecia. Ouvi somente a Hall Of Bright Carvings, e realmente tem um quê de Jethro Tull.

    Mas vc está mto preguiçoso!!!! Cadê suas próprias resenhas?

    Bjo!

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  2. SINISTER SALAD MUSIKAL23 de agosto de 2009 às 13:42

    Valeu Luigi!
    Na hora em que eu publiquei o texto no Sinister, acabei mudando algumas coisinhas, mas tá valendo. Quanto a "um dos maiores entendedores de música deste país" e "um dos maiores colecionadores de discos do Brasil", fico agradecido pelos elogios. Agora só falta você me passar o número da sua conta bancária para eu fazer aquele depósito, conforme combinamos. Cada elogio é 100 reais, certo? Então te devo duzentão.(risos)

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  3. hauhauahauhauha Marcão, a conta fica paga em cerveja e pizza outro dia qualquer!

    Abraços!

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  4. Ministério da cultura recomenda: ESCUTEM O MARCÃO!

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  5. Mais uma banda pra Elephant Bird coverizar!

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