Olá meus queridos e poucos leitores. Após meu hiato de uns 2 meses, estou de volta, com uma pequena lista (desculpem, eu sei, depois deste tempo todo eu deveria é mandar logo uma lista de 100 coisas, não de 5...) que deu um grande trabalho, a começar pelo título: que título dar? Pensei em "5 discos de artistas subestimados", "5 discos que muita gente não bota fé" e etc. Optei por este aí, problema (quase) resolvido, apesar de artistas subestimados ou longe de terem uma carreira brilhante, tem discos que impressionam qualquer um (desde que ouça livre de preconceitos).
Chega de lenga lenga, vamos aos discos. Após os comentários dos discos tem uma sugestão de algumas faixas que destaco do disco.
E eles são:
Leandro Lehart – Leandro Lehart (2002)
Pergunta: o que você espera de um disco solo de um ex “líder-cantor-brega-de-banda-de-pagode” depois de anos do fim da banda, mas com moda do “pagode-mauricinho” ameaçando voltar? Nada que mereça atenção, certo? Pois bem, em seu segundo álbum solo, Leandro Lehart (ex Art Popular) amadureceu algo que já mostrava as garras em seu disco anterior (o bom Solo, de 2000): musica autoral, com pitadas de soul, reagge, pop, samba, samba-rock e até frevo (no disco anterior, ele já tinha gravado uma versão pra musica Esquenta Barracão, da banda Sheik Tosado)! Contando com músicos de responsa (Carlos Bala, Arturzinho Maia, Laércio da Costa entre outros) e com a participação de Luciana Mello em uma das faixas, Leandro fez um disco com groove na medida pra boa música pop. Por vezes, lembra Djavan e, em seus momentos mais inspirados, até Jorge Ben (porque o samba-rock é onde Lehart acerta mais a mão).
É... Seria tão legal se os “pagodeiros-mauricinhos” que estão por aí, tentando reaparecer, conseguissem, como Lehart, fazer músicas sem apelar para um brega pasteurizado e decadente...
Ouça a faixa Camila Bandida.
Odair José – O Filho de José e Maira (1979)
Um belo dia Odair José acordou e disse: “eu sou Odair José, não sou Roberto Carlos. O Roberto Carlos já tinha seu estilo. Ele cantava o amor do portão, do namoradinho, o beijo roubado, Eu Te Darei o Céu. Quando, na verdade, os namorados já estavam indo para a cama”. Depois disso gravou uma ópera-rock (não, eu não estou louco). Batizou o filho de O Filho de José e Maria e foi excomungado pela Igreja Católica, que detestava o fato do goiano cantar que para se amar não é preciso se casar...
A Igreja achou que o disco falava sobre Jesus Cristo (e qualquer semelhança NÃO É mera coincidência) e contava a história de um homem que morreria de tristeza pra viver de alegria, que ficava doidão num momento da vida e até teria dúvidas a respeito da própria sexualidade!
Em 10 faixas bem distribuídas, ele cantava as fases de uma pessoa (“a primeira é quando a pessoa nasce e vai até a última que é quando o cara morre”, declarou).
Não foi um sucesso de vendas (lógico), era um disco pra se ouvir num teatro e não num bailinho e Odair jamais repetiu uma obra desta qualidade: tão irônica, contestadora, questionadora, crua e saborosa... A melhor ópera-rock gravada no Brasil.
Ouça as faixas O Casamento e O Filho de José e Maria.
Belchior – Alucinação (1976)
Seja sincero, você já ouviu algum disco que fale sobre repressão, movimentos populares de resistência e dramas pessoais perante tal situação que não foi composto de forma romântica? Se a resposta foi não, então você esta perdendo seu tempo lendo isto: deveria estar ouvindo o disco Alucinação, do cearense Belchior. Pois explica de forma sublime que antes de pintar as caras para derrubar um regime, é preciso suportar o dia-a-dia, que olhar para o passado mostra quem somos hoje, o que realmente fizemos e aonde realmente chegamos... E isso em 1976!
Cruelmente irônico e contundente em suas letras (não à toa Elis Regina fez barulho cantando Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais, ambas presentes neste disco) e cheio de referências (até o encarte do disco era um dólar com a foto de Belchior no lugar do presidente americano e com os dizeres “In Gold We Trust”), o disco tem uma atmosfera niilista e sincera. E o sotaque de Belchior para cantar é um charme à parte.
Um dos grandes letristas do país gravou outros bons álbuns, até que nos anos 80 caiu no lugar comum que levou embora a genialidade de vários músicos brasileiros. Uma grande pena, de verdade.
Ouça as faixas Velha Roupa Colorida, Alucinação, Como Nossos Pais e A Palo Seco.
Marcelo D2 – Acústico MTV (2004)
A MTV quase nunca acerta a mão quando o assunto é música, porém a série “Acústico MTV” é bem legal, pois depende muito mais do artista do que da emissora (que tem apenas o mérito por convidar o artista; o show em si depende do cara –e de sua banda). Sob esta afirmativa, o convite a Marcelo D2 foi ousado: como “desplugar” um cantor de hip-hop e tornar isso audível?
Eis a surpresa: contando com 23 músicos, em sua maioria de samba, mas também backing vocals, beat-box e até a participação de Will.I.Am, do Black Eyed Peas, Marcelo D2 gravou um disco impressionante. Depois dos interessantes “Eu Tiro É Onda” e “A Procura da Batida Perfeita”, quando ele já havia dado um passo grande em direção à mistura de hip hop com samba, é neste disco acústico e ao vivo (baseado quase inteiramente em sua carreira solo) que ele consumou este casamento e deu um grande norte à sua carreira.
E o disco é um acerto do começo ao fim (talvez com exceção da faixa Lodeando, em que D2 faz uma parceria com seu filho e soa um pouco piegas de mais...) e uma magnífica surpresa de um artista que se descobriu e percebeu que falar de música é dá mais resultado que falar só de maconha. Nota 10 pra ele!
Ouça as faixas A Maldição do Samba, 1967 e CB (Sangue Bom).
Erasmo Carlos – Carlos, Erasmo (1971)
Vamos aos fatos, para começo de conversa: Erasmo Carlos sempre esteve na sombra de Roberto Carlos por motivos óbvios: Roberto compõe melhor, canta melhor, interpreta melhor, produz melhor e gravou discos melhores (pelo menos 4 obras-primas). Isso também não quer dizer que Erasmo é terrível, como muitos pregam!
Este disco empolgante mostra um Erasmo Carlos diferente, um Erasmo com influências da black music (assim como Roberto no começo da década de 70) e com a postura certa pra sair na cola do Rei, o disco é uma delícia da primeira faixa (De Noite na Cama, que Caetano Veloso escreveu exclusivamente para o Tremendão cantar) à última (Maria Joana, com um quê de Jorge Bem, que tem uma música de sua autoria no disco – também de Taiguara, Marcos Valle, Paulo Imperial e, claro, parcerias de Erasmo com Roberto).
Neste disco, o Tremendão chegava “botando moral” com sua banda de apoio: contava com o baterista e o baixista dos Mutantes, Dinho Leme e Liminha, respectivamente. O negócio é sério, coisa de primeiríssima qualidade!
Infelizmente, nosso querido José Trajano da música (que na capa aparece com um bigodão preto e um chapéu no melhor estilo “São Tomé das Letras”) nunca repetiu um disco deste quilate (mas também, poucos gravaram um disco assim), mas vale a pena conferir esta pérola e outros discos de Erasmo, que não é um bobalhão, como insistem alguns fãs rançosos de Roberto Carlos. Se não fosse pelo disco de Belchior, creio que este seria o melhor disco desta pequena lista!
Ouça as faixas De Noite na Cama, Agora Ninguém Chora Mais e Não Te Quero Santa.
E então? Já ouviu todos? Nenhum? Concordou? Achou tudo fantástico? Tudo terrível? Comente já ou agora, sob promessa de menor demora para a próxima postagem!
Cara.. eu não ouvi nenhum dos discos que vc listou!! hehe
ResponderEliminarMas é uma lista invejável!
Abraços
Achei que ninguém mais ouvia o Odair José... mas eu confesso que gosto mais das romanticonas dele viu =)
ResponderEliminaré uma bela lista
Fernando, meu querido, vc sempre foi um rapaz romântico, por vezes incompreendido, por vezes um pouco tiozão... Mas sempre um cara dez! hehehehe Valeu!
ResponderEliminarGu, se não ouviu, de uma procurada, acho que você vai gostar mais do disco do Erasmo que do Belchior... mas ouça as faixas destacadas, quem sabe rola uma surpresa... Abraços!!
O do Belchior é um puta disco, não conheço os outros e foi uma puta sacanagem da sua parte pedir chance para o Leandro Lehart, hehehe, agora vou ter de tentar ouvir, sei não........ será ?
ResponderEliminarEu ainda sou mais o Belca, esse disco é incrivel mesmo, da pra ouvir repetidamente, quantas vezes forem possiveis! O disco do D2 é bacana tb, traz uma mescla de influencias que faz soar bem, mas ainda acho que poderiamos incluir algum outro artista nesta lista!
ResponderEliminarMas a lista ta muito justa, gostei demais!
Esse disco do Odair José é muito bom. O do Belchior idem. Mas esse do Erasmo é de arregaçar! Eu tenho o vinil lindão... morra de inveja! (rs)
ResponderEliminarAgora esse do Leandro Lehart, já ouvi dizer que é muito bom, que é um samba rock de prima, mas não tive coragem de escutar ainda. Como disse o Alpendre num podcast: é que tenho 1000 discos na frente pra escutar. (risos)
Abraço
Marco