Não sou defensor louco do vinil (apesar de preferi-lo), o CD é bem mais prático e a música digital veio pra ficar, sobretudo se o assunto for divulgação... Porém quando o assunto é CAPA DE DISCO o vinil ainda é imbatível: a obra é grande, linda e pensada para ser daquele formato... Isso nunca vai voltar... Afim de parar a onda saudosista em que estou, fiz nossa primeira lista do blog: 10 capas fantásticas! Critérios: só vale um disco de cada artista e o álbum tem que ser bom, não só a capa. De resto, ouça o álbum, mesmo em MP3 ou o raio que o parta, mas, principalmente, procure o vinil e delicie-se na obra da capa.
Claro que esqueci algumas memoráveis, foram só 10 listadas, mas comentários são para isso.

CAETANO VELOSO - Caetano Veloso (1969):
Se você acha muito pedante e chato um cara como o Caetano lançar um disco com a capa toda branca e com sua assinatura no meio e ainda diz que ele imitou os Beatles, eu digo: "e
daí?". A capa ficou linda e o disco, uma obra-prima. Talvéz o disco não seja tão bom quanto o anterior, de 1968 , cuja capa também era linda, mas a capa deste ganha e esta lista é de CAPAS e apenas UMA por artista.

JORGE BEN - Jorge Ben (1969):
Sabe a psicodelia do final dos anos 60? Sabe a tropicália, da mesma década? Agora junte os dois e cozinhe bem, com muita pimenta. Sirva com feijoada e acompanhe com uma caipirinha. Você quer MAIS Brasil? Olhe para a capa maravilhosa, com a ilustração de Albery e ouça a mais perfeita alegoria de nosso país desde
"Aquarela do Brasil": "País Tropical". Disco que vale comprar pela capa (procure o vinil, claro) e ainda levar "de brinde" pérolas como "Crioula", "Cadê Tereza", "Take it Easy my Brother Charles", "Que Pena" e "Charles 45".
Sabem o mais impressionante desta história? Este nem é o melhor disco de Jorge Ben...

OS MUTANTES - Jardim Elétrico (1971):
Quando penso em Mutantes vem à mente esta planta gigante com rosto, mordendo uma flor e tudo muito colorido... Quando ouço também, acho que o som deles é colorido! Por isso o quarto disco entrou na lista: a capa (e o álbum) que melhor define o som dos roqueiros mais queridos do Brasil.

LÔ BORGES E MILTON NASCIMENTO -Clube da Esquina (1972):
Essa foto é fantástica: dois meninos, um negro e um branco, agachados na beira da estrada de Nova Fiburgo (RJ). Remetem, claro, a Milton e Lô. E o álbum duplo não só marcou a estreia do Clube como entrou pra história da música brasileira, uma mistura madura de sons nacionais e "importados", letras engajadas e poéticas. Além dos dois ótimos compositores e cantores, o Clube contava com gente do calibre de Beto Gudes, Toninho Horta, Flávio Venturini... Está bom ou quer mais? Mais? "Girassol da Cor dos Seus Cabelos", "Tudo o que Você Podia Ser", "Clube da Esquina nº 2", "Pelo Amor de Deus", "Ao que Vai Nascer"... A penúltima faixa era "Nada Será Como Era Antes", e não foi mesmo...

ROBERTO CARLOS - Roberto Carlos '72 (1972):
Este aqui é demais: a capa mostra um Roberto sério, introspectivo, triste, maduro e de cabelos bagunçados... Muito diferente daquele da Jovem Guarda... E o disco é sério, introspectivo, triste, maduro e de cabelos bagunçados. Relação forma e conteúdo é isso aí... Como se não bastasse, a qualidade dos arranjos, da gravação e a forma como a voz de Roberto encaixa nas músicas é algo sem precedentes.

SECOS E MOLHADOS - Secos e Molhados (1973):
- O que temos para o jantar?
- Uma farta mesa tipicamente portuguesa, com trança de pão, azeite, vinhos, queijos e as cabeças de Ney Matogrosso, João Ricardo, Gerson Conrad e Marcelo Frias...
- Hm... Parece bom... E de sobremesa?
- Bolacha recheada.
- Recheada com o que?
- Olha, mistura da boa, temperado com "Sangue Latino", acompanha, claro, "O Patrão Nosso de Cada Dia", um "Vira" de primeira e até Manuel Bandeira musicado... Tudo muito bem "Assim Assado".

TOM ZÉ -Todos os Olhos (1973):
Genial, genial, genial. O abusado e malucão baiano chamou Décio Pignatari, em pleno 1973, para a ideia da capa de seu novo álbum Todos os Olhos. Qual foi a ideia? Fotografar, em close vertiginoso,
um ânus com uma bola de gude no meio! Vanguarda é isso aí! E o disco? Muito além de uma polêmica capa, é "apenas" Tom Zé em
seu melhor trabalho! Destaque? O disco todo, a começar pela melhor capa de disco já feita na história deste país.

CARTOLA - Cartola II (1976):
Ele foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira; ele deu as cores verde-e-rosa para a escola; ele só gravou um disco solo aos 65 anos de idade; ele é o maior sambista de todos os tempos... E ainda foi muito maior...
Como o assunto é capas, a foto do mestre ao lado de Dona Zica, sua mulher, é a definição pictórica do que é samba: simples, caseiro, real e profundo. Como se não bastasse a linda foto, este é disco começa com "O Mundo é um Moinho", termina com "Cordas de Aço" e ainda desfila "Minha", "Preciso me Encontrar", "Aconteceu", "Não Posso Viver sem Ela" e o maior sucesso de sua carreira, "As Rosas Não Falam"... Praticamente uma coletânea involuntária!

TONINHO HORTA - Terra dos Pássaros (1980):
O mais brasileiro dos jazzistas e o mais jazzista dos brasileiros gravou um disco maravilhoso e absolutamente "Brasil": que outro lugar do mundo teria uma pintura neste estilo? Linda... "Mas e as músicas?", você pergunta; "Céu de Brasília, Falso Inglês, Viver de Amor, Serenidade, Beijo Partido, No Carnaval e etc...", eu respondo.

RACIONAIS MC'S -Sobrevivendo no Inferno (1997):
O melhor disco de rap gravado em território nacional contém a melhor capa também: pesada e densa, assustadora tal qual o disco. Só teria UM ÚNICO jeito da capa ser melhor: se não viesse NADA escrito. Mesmo assim, não diminui o impacto criado pelos rappers.
E aí? Conhece os discos? Gostou das capas? Detestou? Comente já ou agora...
